terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Bem vinda ao mundo encantado das mentiras.

03:00h
-L, estás bem?
-Foi tudo um sonho? Diz-me que sim M!
-Oh L, já te pedi tanto para parares de pensar nisso, já passou. Acabou. Está tudo bem.
(...)
-Diz-me, mesmo depois de tudo, não merecia pois não?
-Não L, não merecias. Aliás, tu merecias era mais, bem mais respeito da parte dele.

L levantou-se, a custo, com olhar cansado, rosto apagado e um olhar demasiado brilhante. Acabada de cair na realidade, de perceber que não seria sempre ela quem faria sofrer, um dia a dor também lhe iria bater à porta, esse dia só não precisava de ser hoje. Mas foi. Bem-vinda L, ao mundo encantado das mentiras.

-Vou escrever-lhe M.
-Não faças isso, não merece nem uma palavra tua! Dorme, descansa.
-Eu sei, vou escrever-lhe sem que ele algum dia chegue a ler o que tanto lhe quis dizer.

"Não te pergunto como tens passado, não me interessa. Não espero que estejas mal, apenas não me interessa. Já senti raiva de ti, já senti mágoa, agora não sinto nada. Anestesiei-me com a certeza de que não merecia que me tivesses enganado desta forma. Não merecia que me tivesses feito acreditar num mundo que na verdade só existia na minha cabeça. De todas as mentiras ditas por ti, "eu amo-te" foi a minha preferida, sabes? Foi aquela que mesmo sendo enganadora me fez sentir a mulher mais sortuda deste mundo. Porque te tinha comigo. Mas a tua máscara caiu e eu ganhei consciência da realidade. Percebi que tudo aquilo que um dia eu julgava ter construido contigo só existia na minha cabeça, no mundinho cor-de-rosa que eu insistia em pintar para viver. Espero que entendas como foste cruel, mais do que isso, cobarde. Nunca entendi o nosso fim, mas também nunca te pedi explicações. Para mim um fim não tinha explicação. Acabou. Não há nada a acrescentar. Mas mesmo assim, teria sido tão mais fácil teres-me dito a verdade. Teres-me dito que à muito tempo que eu deixara de ser a tua menina e que tinhas construido um outro mundo do qual eu não fazia parte. Não precisavas de me ter mentido, de me ter enganado, qualquer coisa teria sido melhor. Hoje se é estranho para mim entender que não és mais do que um desconhecido, não é por amor, é porque o sentimento de mágoa acha que a vingança mais fácil chegará no dia em que perceberes que eu fui tanto e me perdeste por tão pouco. Quando soube, julguei que iria perder o equilibrio, mas não, quase perdi a pulsação. Podia dar mil e um motivos para te ter escrito esta carta, mas não há tantos, apenas um. Escrevi-te para que percebas que não és nada. E pior do que sentir raiva de ti, é sentir rigorosamente nada,

LL"

domingo, 25 de dezembro de 2011

Bomba relógio

Tic-tac, tic-tac... Quando a bomba explodir não quero estar perto de ti. Não quero assistir à tua morte lenta. Negarei sempre a culpa, por mais que não me queiras ouvir. Não te preocupes, não vou perder tempo com grandes e elaboradas explicações, terei pouco a dizer. Nunca te pedi que gostasses de mim, por isso não tenho culpa se te matar por dentro. Nem te atrevas a culpar-me de alguma coisa, se não... serei obrigada a pôr a culpa nos astros, na metereologia, no trânsito ou em qualquer outra parvoíce que me ocorrer. Isto para não ter que te matar de uma só vez dizendo que nunca gostei de ti e nem tão pouco tentei. Eu disse-te que sim? Pois, talvez tenha dito.. Mas tu se fosses inteligente percebias a regra básica do amor, quem gosta fica. Eu fui. Fui e não pensei sequer duas vezes, nem uma e meia, nem sequer meia, não pensei. Não havia nada a pensar. Agora não penses que eu sou uma assassina, não sou. Por mim a bomba nunca explodiria e tu nunca saberias de nada. Continuarias feliz na tua saudável ignorância achando que eu gostei de ti e que mesmo não estando contigo não faria nada que te magoasse. Mas fiz. Agora não há nada a fazer, não adianta nem rezar nem pedir aos Deuses que não activem a bomba. A bomba somos todos nós humanos. Todos nós que adoramos contar isto e aquilo, porque enquanto falarmos da vida dos outros não estamos a olhar para a nossa. Tic-tac, tic-tac. Quando o que aconteceu chegar até ti a bomba vai explodir. Vais rogar-me pragas e vais desejar nunca me ter conhecido. Mas pensa bem antes de o fazer. Nunca te prometi nada, muito menos quando te deixei... Devias ter percebido bem quem eu sou. Não prometo nada à chegada e quando me vou embora não deixo nada por dizer, ou melhor, não tenho nada a dizer. Sejamos sinceros, a conversa do ''já-não-me-deves-nada'' é ridicula, eu sei. Ficamos sempre a dever qualquer coisa ao outro. Nem que seja respeito. Mas meu querido, se eu te faltei ao respeito não era essa a minha intenção, eu simplesmente não tenho qualquer intenção para contigo. Sou assim, desligada.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Uma noite, uma história.

Acordei, olhei para o relógio, marcava 9h em ponto. Tentei dormir um pouco mais, mas a cabeça pesava-me da noite anterior. Não sabia como tinha chegado até ali, olhei para o lado e tinha um bilhete,

Não te quis acordar, come qualquer coisa e toma o comprimido que te deixei no balcão da cozinha. Espero que fiques bem. Fico à espera de uma mensagem tua. Um beijo, T.

Estava a ter flashes da noite anterior, agora não era mais a cabeça que me pesava, mas sim a consciência. Levantei-me, fiz um esforço enorme para comer os cereais e tomei o comprimido. Queria tomar um banho, vestir o fato-treino e ir correr. Como em todas as manhãs de Domingo. Não conseguia, o meu corpo pedia-me descanso e os meus pés estavam demasiado cansados dos saltos de 12cm nos quais estiveram toda a noite. Lá estavam eles, num canto do quarto. Não sabia ao certo quantas horas tinha dormido, mas pelas olheiras que o espelho me mostrava teriam sido poucas. Olhei mais atentamente, tinha uma camisola que não era minha, era dele, do T. Agora sim, pesava-me a consciência. Fui à procura da minha mala, estava no sofá, tirei um cigarro. Queria ver o telemóvel mas estava com medo de encarar a realidade. Não podia ser. Ganhei coragem, sou dona das minhas atitudes também serei dona das minhas consequências. Tinha uma mensagem do P, meu amor, espero que te tenhas divertido ontem à noite, aposto que ainda estás a dormir é só para te desejar um bom dia, estou cheio de saudades, bem sabes! NÃO, NÃO, NÃO! Agora sim é que a minha consciência não ia aguentar com tanto peso. Despi furiosamente a camisola do T, tirei outro cigarro. Abri a janela, tinha começado a chover. É então que o telemóvel toca...

-Sim?
-Sei que devia ter esperado por uma mensagem tua, mas estava preocupado.
-Está tudo bem.
-Está? Mas não pareces bem...
(...)
-R?
-T, nós...?

Desliguei. Não precisava de ouvir novamente, eu sabia a verdade. Agora tinha a certeza que havia cometido um erro que iria mudar para sempre o rumo da minha história. Comecei a chorar. Como fazem os fracos desta vida, como fazem todos os que como eu deixam que uma noite com excesso de álcool comande os próximos acontecimentos. Não estava a ser fácil para mim. Eu não queria ter-te feito mal P. Mais do que o mal que fiz a mim mesma foi o mal que te fiz a ti que me foi comendo por dentro. Tomei um banho, vesti-me e estava pronta a encarar a realidade. Entrei no carro e fiz duas horas de viagem para te pedir desculpa. Não desculpaste, é certo. Mas a minha consciência não me deixaria ficar em paz comigo mesma se não te tivesse contado. Tu merecias isso e eu já havia feito coisas a mais sem tu o mereceres. Não te imploraria perdão, como não o fiz. Porque há coisas imperdoáveis e eu no teu lugar ter-te-ia cuspido na cara e dito que eras um fraco que perdia alguém como eu numa noite de copos. Não me disseste isso, é certo, mas quando te pedi desculpa foste tão objectivo que rompeste em mim qualquer réstia de esperança ''Até quando R? Até que voltes a beber e te esqueças que há alguém que adormece todos os dias a pensar em ti? Não, não pago para assistir ao mesmo filme duas vezes. Vai, vai e não voltes''. Não deixo de te dar razão e de me condenar a mim mesma por ter deixado que uma noite tenha estragado uma história como a nossa. Acabou, não havia nada que eu pudesse fazer... Voltei para casa, liguei ao T. Sou tão fraca. Preciso sempre de alguém a meu lado quando me sinto tão inferior. Passamos a noite juntos, rimos, rimos imenso. Mas desta vez fui eu quem lhe deixou um bilhete na manhã seguinte,
T, desculpa, por mais que tu me faças rir é por ele que continuo a chorar.

domingo, 23 de outubro de 2011

!

Não foste mais do que os outros. Não és mais bonito, não te vestes melhor e tão pouco tens um carro mais vistoso. Não és, não tens. Mas foste o único. O único que decidiu ir por vontade própria. Sem nenhum berro estridente a pedir que fosses nem tão pouco uma desculpa comovente em que te dizia que o sentimento já não era o mesmo. Decidiste ir, sem aviso prévio. Nunca quiseste uma barbie pois não? Sempre pediste que eu fosse uma mulher, mas eu insisti em tentar fazer de ti um Ken. Não percebi que já eras um homem e que o tempo em que brincavas já tinha passado à muito...
Não, não te vou dizer que acho que mereças melhor. Não mereces. Mas sim, merecias bem mais do que aquilo que te dei. Mas não vamos por aí! Eu também acho que mereço bem mais da vida e não é por isso que me mato. Por isso explica-me, porque me deixaste?

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Ironicamente falando!


Espero que agora já percebas o que quis dizer com "Sê feliz, porque tu mereces!"

É isso.

Ex namorado, entrega esta carta à tua namorada (...)

"Querida namorada do M,


Antes de qualquer outra coisa quero dizer-te quem sou. Eu sou aquela em quem o teu namorado pensa quando está contigo. Espera! Não rasgues já esta carta. Lê o que tenho para te dizer. Não podes querer ocupar o lugar que foi meu durante anos em escassas semanas. Não podes porque não consegues. Acredito que ele goste de ti e quem sabe um dia venha a gostar muito mais do que algum dia gostou de mim, mas até lá tens que aprender a viver com a minha presença no seu pensamento. Eu sei que não é fácil, mas também não foi para falar disso que te decidi escrever...

 Quero só dizer-te que espero que cuides do M, uma vez que eu não posso mais fazê-lo.

(...)




PS: Desejo que sejas muito (in)feliz.

Com sinceridade,
X.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Os teus brinquedos

Antes era eu a tua namorada, agora é essa aí com quem te passeias por aí como se ela se tratasse de um troféu que exibes para os teus amigos. Metes pena meu querido, sabes porquê? Fazias exactamente o mesmo comigo. As personagens da tua vida mudam, mas a história é sempre a mesma. Será que não te cansas nem um bocadinho? Ah, espera... secalhar não é de ti que tenho pena, é dela! O teu novo brinquedo. Podias pelo menos avisá-la que só vais "brincar" com ela até encontrares um novo brinquedo para exibir aos teus amigos Sábado à noite... Assim ias preparando o brinquedo novo para o prazo de validade que o espera... Vais colocá-la na prateleira como fizeste com todas as outras e quando ela menos esperar... está lá! O que me intriga é onde as irás colocar quando a tua prateleira encher, mas tu melhor do que ninguém resolverás rapidamente o problema. Tu és bom nisso, em encontrar lugares para colocares os brinquedos que não queres ver mais. A mim colocaste-me na prateleira não foi? Aquela que fica na parede do fundo, mesmo a um canto, depois de me teres lá colocado passaste por mim tantas vezes...mas nunca me viste. Eu perdi a piada. Estavas à espera que eu ficasse lá não estavas? Ao pé de todas as outras que (coitadas!) esperam que voltes a olhar para elas e que ainda lhes aches alguma piada, que queiras voltar a brincar, que sintas saudades... Mas eu não sou como as outras, na primeira oportunidade saltei da tua prateleira, para nunca mais voltar. Eu não sou um brinquedo, tu é que és uma criança. Diverte-te com o teu brinquedo de última geração.  Ela (por acaso) tem ar de estrangeira! Ouvi dizer que veio da Califórnia e pensei: O novo brinquedo dele deve ser da Apple e muito sofisticado! Os teus amigos vão adorar e tu como bom menino que és quando te cansares... Emprestas!