Chegou exactamente à hora combinada, eram oito horas da noite e a campainha tocou. Sabia que era ele, abriu a porta e pediu-lhe que entrasse. Como sempre ele estava bem-disposto, cumprimentou-a e sorriu. Quando se dirigiam para o quarto ela mantinha-se em silêncio enquanto ele ia dizendo que ela era linda vestindo qualquer coisa e que mesmo assim perdia tanto tempo a arranjar-se que acabava sempre por nunca estar pronta à hora marcada. Sentou-se na cama dela, achou estranho esta não estar repleta de roupas como habitualmente, sabia bem o quão desarrumada a sua namorada era, conseguindo transportar tudo o que tinha dentro do armário para cima da cama até conseguir escolher a roupa adequada para a ocasião. Mas, estava tão entusiasmado, que naquele momento aquilo pareceu-lhe um mero pormenor sem importância. Olhou carinhosamente para ela, com um olhar de namorado orgulhoso por tê-la a seu lado e disse:
-L, de pijama ainda? Anda lá amor, despacha-te.
-É que...
-Não, espera! Eu só te ia contar ao jantar mas não aguento mais esperar e por este andar chegamos à meia noite ao restaurante e eu tenho que...
-Que foi M? Aconteceu alguma coisa? - interrompeu L.
-Aconteceu!
-É grave? A tua mãe não está melhor? Eu posso...
-Não, não tem nada a ver com isso! A minha mãe está melhor e regressou hoje ao trabalho, conheces aquela mulher, não é uma pneumonia que a derrota!
-Que bom, fico contente, mas então o que se passa?
-Comprei duas passagens de avião.
-Duas passagens de avião? Como assim?
-Vamos a Paris meu amor! Vou-te levar a Paris! Eu sei que querias ir e já reservei o hotel, com vista para a Torre Eiffel claro e não te preocupes com nada, só precisas de fazer a mala e...
-M, eu não estou a entender... Não me falaste em Paris...
-Claro que não te falei em Paris, era surpresa meu amor. Queria ter-te contado só ao jantar, porque hoje vou levar-te ao melhor restaurante desta cidade! Mas não aguentei esperar mais para te dizer. Eu sei o quanto gostavas de conhecer Paris e por isso vamos a Paris. Quero que percebas que eu vou realizar todos os sonhos da mulher da minha vida.
-Não posso acreditar!
-Podes sim, vais finalmente conhecer la cité de l'amour!
-Não!
L deu um grito, como se estivesse assustada, como se estivesse com medo. M não conseguia compreender o que se estava a passar. Conhecera L à um ano atrás e era apaixonado por ela como poucas pessoas já se apaixonaram na vida. Comprara as passagens de avião porque sabia que L sonhava com o dia em que visitasse Paris, em que subisse à Torre Eiffel, em que conhecesse o mundo da Disney que povou a sua infância, em que passeasse pelos Campos Elísios como vira em filmes durante anos. No entanto, após ter dado a novidade, ao em vés de receber um grande abraço, de ouvir gritos de esterismo, de felicidade da sua namorada, não, viu tristeza no seu olhar, viu medo, viu culpa.
-O que se passa L?
-Nós não vamos a Paris.
-Porque estás a chorar? Porque me dizes que não vamos a Paris? O que se passa? Diz de uma vez!
-Olha para mim M, estou de pijama.
-Sim eu consigo perceber isso, só não consigo perceber é o que se passa!
-Eu estava à espera que chegasses para ter uma conversa contigo, eu nunca pretendi ir jantar fora.
-Explica-te L!
-Eu estava à espera que chegasses para termos uma conversa e não para irmos jantar fora. Acabou M, era isto que te queria dizer... (houve um enorme silêncio e M nada disse, então L continuou)
E depois tu chegaste a dizer que compraste passagens de avião e que querias realizar todos os meus sonhos, pode não ser o momento, mas quanto mais tarde pior e...
-Acabou? Como assim acabou? Porquê L?
-Porque eu não suporto mais viver a relação perfeita, eu preciso de correr riscos, preciso de ter uma vida que não vá de encontro à perfeição de relacionameno em que mergulhamos.
-Não entendo, o que querias afinal? Que te fizesse infeliz?
-Não, tu és uma pessoa incrível, mas eu não sou mulher para entrar no teu mundo de perfeição. Eu não sou a mulher a quem devas realizar todos os sonhos. Eu não suporto mais viver dentro dos limites de um namoro que pode ser invejado por todas as mulheres deste mundo mas que não é o que eu quero para mim. E os meus sonhos, deixa-me ser eu a realizá-los. Eu quero viver a minha vida fora dos dias monótonos da nossa relação, não suporto viver mais no mundo encantado que construimos.
-Eu não acredito no que acabei de ouvir. Estas a dizer que te cansaste de mim porque eu fazia tudo bem?
-Sim.
-Mas o que é que tu queres L? Que te faça infeliz? Que me esqueça de ti enquanto ando de bebedeira em bebedeira? Que te dê todo o espaço do mundo? Que te trate mal?
L olhou para M com ar de quem lamentava o que estava a acontecer e disse:
-Quero viver a minha vida longe desta história de amor com desfecho tão previsível de final feliz, é isso que eu quero, saber o que é a vida longe deste mundo encantado.
Soubesse ela o quão bom teria sido viver o final perfeito.
Este é um blog de sonhos. Os textos aqui publicados fazem parte do universo imaginário de LL. No entanto, apesar de serem criados no imaginário, quantos deles não nascem na realidade? *
terça-feira, 13 de novembro de 2012
sábado, 10 de novembro de 2012
Primeiro ela e depois eu.
Pensei em fazer uma dieta, mas comer uma folha de alface por dia nunca foi alimento para uma mulher como eu. No outro dia até dei por mim a pensar que se vestisse as roupas que se usavam no tempo da minha avó talvez apreciasses mais o meu estilo, mas não faço ideia do sítio onde ela as vai desencantar e achei que pedir emprestado seria desagradável, afinal de contas, ela já te tinha emprestado a ti e eu nunca gostei de abusar da boa vontade das pessoas. Bem, na verdade ela não te emprestou de boa vontade, se calhar fui mal educada, não devia ter-te levado sem pedir mas nunca pensei que ela fosse assim tão egoista. Um Sábado destes dei por mim no ginásio, ouvi dizer que ela era muito adepta de desporto e pensei que talvez assim deixasse de ser a tua segunda escolha, mas depois das primeiras dores musculares do dia seguinte a minha preguiça obrigou-me a desistir da ideia de querer ser tão atlética quanto ela. Quando a encontrei no café reparei que ela estava a beber uma àgua mas quando dei por mim já tinha pedido um chocolate quente e tentei desculpar-me a mim mesma com a ideia de que nem bebendo seis litros de àgua por dia e comendo só uma alface por semana ficaria tão elegante quanto ela. Não que eu seja invejosa, mas de facto ela é tão elegante que pode andar com o cabelo sempre bem esticado, de certo que passa pelas gotas de chuva sem se molhar. Por falar em cabelos, nunca preferiste as loiras pois não? Não deves ter queda para mulheres burras, mas eu não sabia. Porque eu e o meu cabelo loiro tivemos queda para ti, mesmo sabendo que pertencias a uma morena qualquer que se passeia por esta cidade com o nariz tão levantado que eu dou por mim a pensar se será apenas porque é uma pessoa tão segura de si mesma ou está é constantemente a imaginar desenhos com as formas das nuvens. Quero acreditar na segunda hipótese, pelo menos assim posso-lhe atribuir criatividade. De qualquer forma não pretendo pintar o meu cabelo, acho que ser loira adequa-se mais ao meu perfil, afinal de contas não fui muito inteligente. Se fosse inteligente já não estaria aqui à espera do dia em que o primeiro lugar fosse meu e pela primeira vez na tua vida eu deixasse de ser a outra. Não é que eu seja egoísta como ela, mas preferia que fosse ela a preencher as minhas ausências em vez de ser eu a estar à espera das tuas horas vagas. Já pensei várias vezes em tudo o que a distingue de mim, mas por mais que tente, não me consigo assemelhar a ela.
Um dia vou perceber que mesmo que ela engorde, pinte o cabelo de loiro e deixe de ser atlética vai ser sempre a tua escolha. Dizem que se chama amor, eu sei o que isso é, porque mesmo que um dia engordes, confundas roupa com trapos e continues ao lado dela, continuas a ser a minha primeira escolha. Vou perceber também que mesmo que um dia fique tão elegante como um palito, tenha o cabelo escuro e vá todos os dias ao ginásio, serei sempre a tua segunda opção. Dizem que se chama atracção, e ouvi dizer que essas coisas morrem, mais dia menos dia. Já me disseram que ela é o grande amor da tua vida e que por mais caminhos que percorras o teu destino final passará sempre por ela mas deixem-me ao menos sonhar, sonhar com as horas que passo a teu lado, aquelas em que me fazes promessas que ambos sabemos que nunca irás cumprir. De qualquer forma, serás sempre a minha primeira, última e única escolha, mesmo quando as minhas amigas me tentam fazer perceber que não me posso contentar em ser a outra de alguém. Ah, e desculpa, mas quando disse que não era invejosa menti. Eu invejo-a, invejo-a por ter a certeza que todos os dias lhe dizes que ela é a mulher da tua vida.
Um dia vou perceber que mesmo que ela engorde, pinte o cabelo de loiro e deixe de ser atlética vai ser sempre a tua escolha. Dizem que se chama amor, eu sei o que isso é, porque mesmo que um dia engordes, confundas roupa com trapos e continues ao lado dela, continuas a ser a minha primeira escolha. Vou perceber também que mesmo que um dia fique tão elegante como um palito, tenha o cabelo escuro e vá todos os dias ao ginásio, serei sempre a tua segunda opção. Dizem que se chama atracção, e ouvi dizer que essas coisas morrem, mais dia menos dia. Já me disseram que ela é o grande amor da tua vida e que por mais caminhos que percorras o teu destino final passará sempre por ela mas deixem-me ao menos sonhar, sonhar com as horas que passo a teu lado, aquelas em que me fazes promessas que ambos sabemos que nunca irás cumprir. De qualquer forma, serás sempre a minha primeira, última e única escolha, mesmo quando as minhas amigas me tentam fazer perceber que não me posso contentar em ser a outra de alguém. Ah, e desculpa, mas quando disse que não era invejosa menti. Eu invejo-a, invejo-a por ter a certeza que todos os dias lhe dizes que ela é a mulher da tua vida.
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
Eu sei o que isso é, e não é amor.
Se lhe pedissem para se descrever, ela não o saberia fazer. Não se conhecia a si mesma, tendo diversas vezes quebrado princípios que orgulhosamente apelidava como seus. Era incapaz de conhecer os seus limites e frequentemente caia em depressão. Era instável, e essa instabilidade roubara-lhe muitas vezes a felicidade. Não tinha muitos amigos, mas estava constantemente rodeada de rostos conhecidos e caras que podiam não conhecer a sua história, mas sabiam o seu nome. Entrou no café, com o olhar pensativo, expressões vagas e olhou em volta. Encontrou finalmente P, sentado numa mesa ao fundo do café e dirigiu-se a ele, cumprimentando-o e sentando-se na cadeira à sua frente.
-Boa noite P, como estas?
-Boa noite L, bem e tu?
-Também.
A voz dela era suave, como que apagada, e a delicadeza com que se dirigiu à senhora que a atendera, pedindo-lhe um café, deixou P confuso quanto à mulher que tinha à sua frente. A L que ele conhecera, a L que fora sua namorada, não era a mulher de olhar perdido e voz cansada que ele via agora e mesmo tendo passado breves minutos desde a sua entrada no café, disso ele tinha a certeza.
-Fico contente que tenhas aceite tomar um café comigo. Mas conta-me, como estão as coisas contigo?
-Relembra-me o ponto em que deixaste de fazer parte da minha vida, para ver se encontro alguma coisa que te possa interessar ouvir...
-Acho que foi na altura da tua vida em que te decidiste atirar de cabeça a novos relacionamentos, ou tentativas disso...
-Porque eram amargos e cobardes.
P olhou para L com um olhar desaprovador, como que rejeitando a mulher em que ela se transformara quando o deixou. Ele sempre soubera, mas agora não restava qualquer dúvida, que depois dele ela não fora capaz de construir mais nada. Fizera diversos projectos, mas nenhum deles passou do papel. Não fora capaz de transformar numa história de amor nenhum dos relacionamentos que tentou manter. E o que mais o confundia era porque é que ela o fizera, porquê tentar? Exitou em perguntar, mas sentia-se demasiado tentado em tentar perceber o porquê de uma mulher que por si havia sido tão amada se entregar a relações que mais não fizeram do que apagá-la.
-Porquê L? Porquê tentar?
-Por medo, medo da solidão.
-Mas olha para ti agora! Estás sozinha, não conseguiste construir nada, não tens nada! Depois de mim não foste capaz de amar alguém... não és capaz!
P calou-se repentinamente, mal viu uma lágrima escorrer dos olhos tristes e apagados de L. Nunca a vira chorar, segundo o próprio dizia, nada era capaz de derrotar uma mulher pedra como ela. Percebeu então que ela estava frágil, que a pedra que tinha no coração se havia transformado num novelo que já havia dado tantas voltas que a apagava enquanto pessoa, enquanto mulher. Não fora capaz de dizer nada, não sabia lidar com a L que estava a conhecer naquele momento. L respirou fundo, tentou limpar as lágrimas disfarçadamente, como que numa tentativa de disfarçar a vergonha que sentia por alguém a ter visto chorar, e disse:
-Estou sozinha, demasiado habituada a estar sozinha, tão habituada que mesmo tendo a certeza que por diversas vezes podia ter construído algo não fui capaz. A solidão em que mergulhei prende-me a mim mesma, e gostava muito de te dizer que estou radiante de felicidade e que isso se deve a uma qualquer pessoa maravilhosa que entrou na minha vida, mas isso não aconteceu... (fez uma breve pausa para conter as lágrimas que ameaçavam sair disparadas) Ou se calhar até entraram diversas pessoas maravilhosas na minha vida mas eu sou capaz de destruir o mais bonito dos sentimentos que alguém nutra por mim.
-Não te destruas a ti mesma L, não depois de teres sido a mulher que já foste.
-Pára de falar de mim, não vim aqui para ser julgada. Porque me convidaste para este café? Para te sentires o herói da história da minha vida? Isso não vai acontecer, eu não preciso de ti nem dos teus conselhos. Vivi este tempo todo sem ti, se nalgum momento precisei de ti esse momento não é agora.
-Sabes porque te convidei para este café L, sabes? Porque ao longo deste tempo todo vi a mulher que amo a destruir-se, sem poder fazer nada... Posso ao menos dizer-te o quanto ainda te amo mesmo não te conhecendo mais? Estou aqui porque eu sei e tu também sabes que juntos conseguiriamos construir ainda mais do que aquilo que já fomos capazes.
-Não, estás aqui porque vês em mim aquilo que tanto temes, a solidão. Estás aqui porque estás com medo de acabar sozinho, como estás agora. Estás aqui porque pensas que me amas mas eu sei bem o que isso é, e não é amor... é medo. Mas não temas, aprendes a dar valor a muitas outras coisas, quando deixas de ter alguém que te dê valor a ti. Sabes, estás aqui porque no fundo somos iguais. Mas se calhar essa é a razão porque te amei a ti, e só a ti. E agora vou embora...
-L! Espera! Se achas que sou como tu, queres ver-me a afundar em relacionamentos fracassados, amargos, cobardes?!
Não houve resposta, apenas um virar de costas de L e um silêncio profundo, esse sim, amargo e cobarde.
-Boa noite P, como estas?
-Boa noite L, bem e tu?
-Também.
A voz dela era suave, como que apagada, e a delicadeza com que se dirigiu à senhora que a atendera, pedindo-lhe um café, deixou P confuso quanto à mulher que tinha à sua frente. A L que ele conhecera, a L que fora sua namorada, não era a mulher de olhar perdido e voz cansada que ele via agora e mesmo tendo passado breves minutos desde a sua entrada no café, disso ele tinha a certeza.
-Fico contente que tenhas aceite tomar um café comigo. Mas conta-me, como estão as coisas contigo?
-Relembra-me o ponto em que deixaste de fazer parte da minha vida, para ver se encontro alguma coisa que te possa interessar ouvir...
-Acho que foi na altura da tua vida em que te decidiste atirar de cabeça a novos relacionamentos, ou tentativas disso...
-Porque eram amargos e cobardes.
P olhou para L com um olhar desaprovador, como que rejeitando a mulher em que ela se transformara quando o deixou. Ele sempre soubera, mas agora não restava qualquer dúvida, que depois dele ela não fora capaz de construir mais nada. Fizera diversos projectos, mas nenhum deles passou do papel. Não fora capaz de transformar numa história de amor nenhum dos relacionamentos que tentou manter. E o que mais o confundia era porque é que ela o fizera, porquê tentar? Exitou em perguntar, mas sentia-se demasiado tentado em tentar perceber o porquê de uma mulher que por si havia sido tão amada se entregar a relações que mais não fizeram do que apagá-la.
-Porquê L? Porquê tentar?
-Por medo, medo da solidão.
-Mas olha para ti agora! Estás sozinha, não conseguiste construir nada, não tens nada! Depois de mim não foste capaz de amar alguém... não és capaz!
P calou-se repentinamente, mal viu uma lágrima escorrer dos olhos tristes e apagados de L. Nunca a vira chorar, segundo o próprio dizia, nada era capaz de derrotar uma mulher pedra como ela. Percebeu então que ela estava frágil, que a pedra que tinha no coração se havia transformado num novelo que já havia dado tantas voltas que a apagava enquanto pessoa, enquanto mulher. Não fora capaz de dizer nada, não sabia lidar com a L que estava a conhecer naquele momento. L respirou fundo, tentou limpar as lágrimas disfarçadamente, como que numa tentativa de disfarçar a vergonha que sentia por alguém a ter visto chorar, e disse:
-Estou sozinha, demasiado habituada a estar sozinha, tão habituada que mesmo tendo a certeza que por diversas vezes podia ter construído algo não fui capaz. A solidão em que mergulhei prende-me a mim mesma, e gostava muito de te dizer que estou radiante de felicidade e que isso se deve a uma qualquer pessoa maravilhosa que entrou na minha vida, mas isso não aconteceu... (fez uma breve pausa para conter as lágrimas que ameaçavam sair disparadas) Ou se calhar até entraram diversas pessoas maravilhosas na minha vida mas eu sou capaz de destruir o mais bonito dos sentimentos que alguém nutra por mim.
-Não te destruas a ti mesma L, não depois de teres sido a mulher que já foste.
-Pára de falar de mim, não vim aqui para ser julgada. Porque me convidaste para este café? Para te sentires o herói da história da minha vida? Isso não vai acontecer, eu não preciso de ti nem dos teus conselhos. Vivi este tempo todo sem ti, se nalgum momento precisei de ti esse momento não é agora.
-Sabes porque te convidei para este café L, sabes? Porque ao longo deste tempo todo vi a mulher que amo a destruir-se, sem poder fazer nada... Posso ao menos dizer-te o quanto ainda te amo mesmo não te conhecendo mais? Estou aqui porque eu sei e tu também sabes que juntos conseguiriamos construir ainda mais do que aquilo que já fomos capazes.
-Não, estás aqui porque vês em mim aquilo que tanto temes, a solidão. Estás aqui porque estás com medo de acabar sozinho, como estás agora. Estás aqui porque pensas que me amas mas eu sei bem o que isso é, e não é amor... é medo. Mas não temas, aprendes a dar valor a muitas outras coisas, quando deixas de ter alguém que te dê valor a ti. Sabes, estás aqui porque no fundo somos iguais. Mas se calhar essa é a razão porque te amei a ti, e só a ti. E agora vou embora...
-L! Espera! Se achas que sou como tu, queres ver-me a afundar em relacionamentos fracassados, amargos, cobardes?!
Não houve resposta, apenas um virar de costas de L e um silêncio profundo, esse sim, amargo e cobarde.
terça-feira, 18 de setembro de 2012
O jogo
Já passava das nove horas da noite quando nos sentamos à mesa para jantar. Era mais um jantar de amigos, mas não de dois amigos quaisquer. Entre nós existia bem mais que uma amizade, mas mesmo assim insistiamos em manter essa fachada e dizer constantemente ''o meu amigo P...'' em alto e bom som para que quem nos rodeasse não ousasse confundir as coisas. Olhei para ti, enquanto servias o vinho branco que tanto apreciamos e o meu pensamento recuou seis meses atrás. Recuou até à noite em que tudo começou, tinhamos bebido demasiado na festa de aniversário do M, dizem que me foste levar a casa, não me recordo. Mas lembro-me perfeitamente (ou não fosse o àlcool ter perdido o seu efeito em mim) do momento em que acordei e te vi deitado a meu lado. Não foi como nos filmes, não houve nenhum berro estridente nem nenhuma cara assustada pedindo-te que fosses embora. Não. Toquei-te suavamente, não querendo ter nenhum contacto demasiado intimo contigo, e quando abris-te os olhos desejei-te calmamente um bom dia e perguntei-te o que fazias ali. Foi a partir desse dia que a nossa história começou. Bebiamos uns copos a mais e sabiamos que no outro dia acordariamos juntos, vezes e vezes sem conta. Com o tempo criamos uma relação que nenhum de nós saberia explicar ao certo, mas o álcool deixou de fazer falta para que tivessemos que ceder à atracção que existia entre nós. E isso assustou-me.
Nunca fui uma mulher de grandes histórias de amor, não sonhava casar e ter filhos não fazia parte dos meus planos. Sempre rejeitei relações que exigissem muito de mim, nunca me senti preparada para o desgaste emocional que uma relação pode trazer a quem a vive. As minhas amigas tinham dificuldade em compreender alguém como eu, em perceber o porquê de venerar a solidão em que mergulhei, em querer viver um dia de cada vez, sem planos nem compromissos. Eu também não as compreendia, não percebia como eram capazes de entregar a sua vida a uma relação, de dar tanto de si a construir algo que um dia lhes podia falhar. Já ninguém me pedia conselhos, sabiam a minha resposta óbvia, directa e crua Não estás feliz deixa-o de uma vez! Já dizia a minha avó que por morrer uma andorinha não se acaba a Primavera! E elas olhavam para mim indignadas por eu ser incapaz de compreender que aquele era o homem das suas vidas. Por mais que eu tentasse, não conseguia ser como elas. Crescemos juntas, e eu via agora as minhas amigas a noivar, a casar, a pensar em ter filhos. Enquanto eu continuava a viver sozinha, a não criar laços nem raízes. Por isso, e porque contigo as coisas não seriam diferentes, decidi que naquela noite teria que encontrar uma forma de te explicar quem eu era, para que não criasses em ti a ilusão de uma L que na verdade nunca existirá.
-P?
-Diz-me L, não está bom o arroz?
-Não é isso, está tudo optimo! Só que tive uma ideia!
-Qual?
-Vamos jogar a um jogo, que achas?
-Acho uma óptima ideia, mas qual?
-O jogo é simples, só tem uma regra.
-Que regra?
-Quem se apaixonar perde.
-Como assim?
-Se algum de nós se apaixonar pelo outro perde o jogo. E quem perder afasta-se.
-Esse é um jogo muito fácil para ti L, és a mulher pedra, não tens sentimentos.
-P, sabes bem que somos iguais! Estamos em igualdade de circunstâncias, portanto ninguém está a ser favorecido!
P levantou-se da mesa, foi em direcção ao sofá e vestiu o casaco dirigindo-se à porta.
-Onde vais?
-Embora. Já perdi, e as regras eram claras, quem perder afasta-se. Não é verdade L?
-Quando saíres fecha a porta.
Nunca fui uma mulher de grandes histórias de amor, não sonhava casar e ter filhos não fazia parte dos meus planos. Sempre rejeitei relações que exigissem muito de mim, nunca me senti preparada para o desgaste emocional que uma relação pode trazer a quem a vive. As minhas amigas tinham dificuldade em compreender alguém como eu, em perceber o porquê de venerar a solidão em que mergulhei, em querer viver um dia de cada vez, sem planos nem compromissos. Eu também não as compreendia, não percebia como eram capazes de entregar a sua vida a uma relação, de dar tanto de si a construir algo que um dia lhes podia falhar. Já ninguém me pedia conselhos, sabiam a minha resposta óbvia, directa e crua Não estás feliz deixa-o de uma vez! Já dizia a minha avó que por morrer uma andorinha não se acaba a Primavera! E elas olhavam para mim indignadas por eu ser incapaz de compreender que aquele era o homem das suas vidas. Por mais que eu tentasse, não conseguia ser como elas. Crescemos juntas, e eu via agora as minhas amigas a noivar, a casar, a pensar em ter filhos. Enquanto eu continuava a viver sozinha, a não criar laços nem raízes. Por isso, e porque contigo as coisas não seriam diferentes, decidi que naquela noite teria que encontrar uma forma de te explicar quem eu era, para que não criasses em ti a ilusão de uma L que na verdade nunca existirá.
-P?
-Diz-me L, não está bom o arroz?
-Não é isso, está tudo optimo! Só que tive uma ideia!
-Qual?
-Vamos jogar a um jogo, que achas?
-Acho uma óptima ideia, mas qual?
-O jogo é simples, só tem uma regra.
-Que regra?
-Quem se apaixonar perde.
-Como assim?
-Se algum de nós se apaixonar pelo outro perde o jogo. E quem perder afasta-se.
-Esse é um jogo muito fácil para ti L, és a mulher pedra, não tens sentimentos.
-P, sabes bem que somos iguais! Estamos em igualdade de circunstâncias, portanto ninguém está a ser favorecido!
P levantou-se da mesa, foi em direcção ao sofá e vestiu o casaco dirigindo-se à porta.
-Onde vais?
-Embora. Já perdi, e as regras eram claras, quem perder afasta-se. Não é verdade L?
-Quando saíres fecha a porta.
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
Cuida de mim.
Ali estava eu, de malas e bagagens no meio da rua. Chovia e eu precisava de um sítio onde me abrigar. Olhei para ti, na esperança de te ouvir dizer que voltasse rapidamente para o carro, mas arrancaste descontraidamente e vi-te ir embora. Corri rapidamente em direcção ao café mais próximo, mas as malas atrasavam-me os movimentos e o guarda-chuva ameaçava fugir, tentado pelo vento. Quando finalmente alcancei o café, olhei para o espelho de moldura dourada que embelezava a parede da entrada e vi uma mulher de cabelos molhados e escorridos, com a maquilhagem borratada, as roupas humidas coladas à pele. Vi-me a mim, tal como me havias deixado ficar. Eu e os meus vinte anos certamente haviamos de encontrar uma qualquer maneira de voltar para casa que não implicasse atrasar os teus planos. Sentei-me numa mesa logo à entrada, não fazia grande questão de passear naquele estado pelo café e as malas não me ajudavam. Um senhor de meia-idade veio perguntar se desejava alguma coisa e eu pedi um café curto enquanto tirava um cigarro do maço. Pus o açucar no café, mexi e acendi o cigarro enquanto pensava numa alternativa para voltar para casa, lembrei-me que me tinhas dito para ligar a um amigo para me vir buscar. Disseste-o com o propósito de te dar um ar preocupado, para que o amigo que ia contigo não achasse que eras um namorado demasiado desleixado, deixando-me ali sozinha sem saber como ir para casa porque tinhas planos. E os teus planos eram de extrema importância. Não podias chegar atrasado ao jantar, que falta de educação! Ah, espera, mas deixares-me no meio da cidade com o objectivo de me desenrrascar e ir para casa... será certamente de alguém com berço! Tinha que parar com os devaneios e arranjar uma solução, teria tempo para choradinhos e esperneadelas quando estivesse finalmente no aconchego de minha casa. Abri a minha mala e tirei o telemóvel. Olhei assustada para o visor que não dava sinais de vida por mais que eu tentasse ligar o telemóvel. Percebi que não tinha bateria e aí soube o que sente alguém quando não tem alternativas, quando se esgotam as soluções. Tirei outro cigarro, era o último. Ali estava eu, sem tabaco, nem dinheiro, nem qualquer solução. De repente senti uma mão no meu ombro, virei-me e vi o J. Ele olhou para mim e viu a lágrima que naquele momento me escorria pelo rosto. Limpou-me a lágrima com carinho, sentou-se em frente a mim e disse-me:
-Que se passa? Porque estás aqui a chorar e nesse estado?
-Dá-me um cigarro.
-Tu sem tabaco? Agora é que não estou mesmo a perceber nada!
-Não tenho tabaco, não tenho dinheiro, nem como ir para casa! Estou encharcada e tenho fome e agora que já ouviste o discurso de coitadinha da tua ex-namorada dá-me um cigarro por favor!
Ele deu-me o cigarro e nenhum de nós disse nada. Ali estava ele, o meu ex-namorado. Quantas dores de cabeça me havia dado e o quanto eu gostei dele! Foram tantas as noites sem dormir, enquanto ele andava de bar em bar com uns e com outras. Quantas vezes eu soube das suas traições, das noitadas, das mentiras descaradas. Mas eu gostava dele e sabia que ele gostava de mim. Eu sabia que era verdade quando ele dizia que o maior sonho da sua vida era casar comigo. Mas também soube que não podia continuar com ele, precisava de paz e o J nunca teria tal coisa para me oferecer.
Subitamente ele quebra o silêncio e os meus pensamentos e diz-me:
-O teu namorado L? Onde está ele?
-Teve uns compromissos e deixou-me aqui. Preciso de ir para casa, levas-me a casa?
-Levo sim. Mas primeiro vai lavar a cara e tira esses restos de maquilhagem. Não precisas dessas coisas para nada! Quantas vezes terei que te dizer? És linda. E agora vai lá enquanto eu te peço uma tosta!
-Eu não tenho dinhei...
-Shiu! Eu estou aqui L, já não precisas de ter medo. Cheguei para cuidar de ti.
Comi a tosta, enquanto conversava com o J e me ria das suas piadas descabidas e pensava na sorte que tinha por ele estar ali. No fim levou-me a casa e eu dei-lhe um abraço, quando o soltei ele disse-me:
-Um dia vais perceber que há uma linha que separa o imbecil que eu fui contigo do imbecil que é o teu namorado. Porque eu estou aqui.
-Então fica.
-Fico?
-Fica comigo.
-Hoje? Estas com medo?
-Sempre. Eu preciso que cuidem de mim.
-Eu cuido L, eu cuido...
-Jura!
-Juro, pelos filhos que um dia vamos ter, que cuidarei sempre da mãe deles.
E uma lágrima escorreu pela minha face, desta vez não por me sentir perdida, mas por me sentir segura nos seus braços, e não nos teus, porque mesmo que um dia ele andasse por aí de bar em bar, se eu precisasse, eu sei que ele viria.
Ironias do destino? Talvez.
-Que se passa? Porque estás aqui a chorar e nesse estado?
-Dá-me um cigarro.
-Tu sem tabaco? Agora é que não estou mesmo a perceber nada!
-Não tenho tabaco, não tenho dinheiro, nem como ir para casa! Estou encharcada e tenho fome e agora que já ouviste o discurso de coitadinha da tua ex-namorada dá-me um cigarro por favor!
Ele deu-me o cigarro e nenhum de nós disse nada. Ali estava ele, o meu ex-namorado. Quantas dores de cabeça me havia dado e o quanto eu gostei dele! Foram tantas as noites sem dormir, enquanto ele andava de bar em bar com uns e com outras. Quantas vezes eu soube das suas traições, das noitadas, das mentiras descaradas. Mas eu gostava dele e sabia que ele gostava de mim. Eu sabia que era verdade quando ele dizia que o maior sonho da sua vida era casar comigo. Mas também soube que não podia continuar com ele, precisava de paz e o J nunca teria tal coisa para me oferecer.
Subitamente ele quebra o silêncio e os meus pensamentos e diz-me:
-O teu namorado L? Onde está ele?
-Teve uns compromissos e deixou-me aqui. Preciso de ir para casa, levas-me a casa?
-Levo sim. Mas primeiro vai lavar a cara e tira esses restos de maquilhagem. Não precisas dessas coisas para nada! Quantas vezes terei que te dizer? És linda. E agora vai lá enquanto eu te peço uma tosta!
-Eu não tenho dinhei...
-Shiu! Eu estou aqui L, já não precisas de ter medo. Cheguei para cuidar de ti.
Comi a tosta, enquanto conversava com o J e me ria das suas piadas descabidas e pensava na sorte que tinha por ele estar ali. No fim levou-me a casa e eu dei-lhe um abraço, quando o soltei ele disse-me:
-Um dia vais perceber que há uma linha que separa o imbecil que eu fui contigo do imbecil que é o teu namorado. Porque eu estou aqui.
-Então fica.
-Fico?
-Fica comigo.
-Hoje? Estas com medo?
-Sempre. Eu preciso que cuidem de mim.
-Eu cuido L, eu cuido...
-Jura!
-Juro, pelos filhos que um dia vamos ter, que cuidarei sempre da mãe deles.
E uma lágrima escorreu pela minha face, desta vez não por me sentir perdida, mas por me sentir segura nos seus braços, e não nos teus, porque mesmo que um dia ele andasse por aí de bar em bar, se eu precisasse, eu sei que ele viria.
Ironias do destino? Talvez.
domingo, 26 de agosto de 2012
Quem espera, desespera.
Combinamos tomar um café naquela tarde ensolarada de Domingo. O meu relógio ainda não marcava as 15h e eu já tinha chegado à esplanada onde algo dentro de mim me fazia acreditar que tudo iria mudar e desta vez para melhor. Sabia que ia ter que esperar um pouco, acendi o meu cigarro e pedi um café curto. Sorri à empregada de mesa quando me trouxe o café, era um grande dia e queria partilhar a minha felicidade. Tu estavas de volta, de volta na minha vida. Tinha agora a oportunidade de fazer tudo dar certo, de remendar o passado, de dar uma nova oportunidade não só a nós, mas a mim mesma. Trazia um vestido branco que realçava o meu bronze e me dava um ar descontraído, queria disfarçar o nervosismo de te ter por perto. O tempo passava devagar e eu aguardava a tua chegada, aguardava o momento em que te pudesse dizer a falta que me fazias e contar como a minha vida tinha mudado. Dizer-te que aprendi a ser a minha própria companhia, que eu e a cozinha fizemos as pazes, que aprendi a contar comigo e só comigo e que me tenho desiludido menos desde esse dia. Contar-te que penso em ti de cada vez que faço a mala e vou por aí, como se não tivesse casa, ou família, ou amigos, tirando fotos a cada pormenor que seria descabido para muitos, mas que faria todo o sentido aos nossos olhos. Essas ideias invadiram a minha cabeça por longos momentos. Instintivamente olhei para o relógio e já eram quase 16h. Fiquei petrificada a olhar para o relógio de prata que me iluminava o pulso e em seguida, numa tentativa de que os meus olhos te encontrassem, olhei em volta. Nenhum sinal da tua presença. Tentei convencer-me a mim mesma que uma hora de atraso poderia ser normal, percebi que não, pensei então que devia ter acontecido alguma coisa grave, não poderia haver outra justificação para me teres deixado ali à tua espera. Decidi ligar-te para saber o que tinha acontecido mas tu não me atendeste. Foi então que caí na realidade, se não estavas ali naquele momento era porque não querias, sempre soubeste o trabalho que dava manter alguém como eu a teu lado. Seria mais fácil não me teres por perto e logo tu que sempre preferiste comodidades. Não sei explicar o que me passou pelo coração naquele momento, a dor foi dilacerante. Peguei no telemóvel e enviei-te uma mensagem: Peço desculpa por só avisar agora, tentei ligar, mas não atendeste, não dá para irmos tomar café surgiram imprevistos. Beijo.
Se sabias tão bem o quanto custa manter alguém como eu a teu lado, também deverias saber que fracos somos todos, mas nem todos o admitem.
Chamei a empregada de mesa e pedi outro café, desta vez não sorri, não tinha mais felicidade para partilhar, ela olhou para mim com simpatia, como se estivesse a perceber o que se estava a passar e disse-me:
- Às vezes os cafés ajudam-nos a acordar, quando os olhos vêem mas o coração não quer acreditar.
Se sabias tão bem o quanto custa manter alguém como eu a teu lado, também deverias saber que fracos somos todos, mas nem todos o admitem.
Chamei a empregada de mesa e pedi outro café, desta vez não sorri, não tinha mais felicidade para partilhar, ela olhou para mim com simpatia, como se estivesse a perceber o que se estava a passar e disse-me:
- Às vezes os cafés ajudam-nos a acordar, quando os olhos vêem mas o coração não quer acreditar.
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Não tens frigorífico em casa?!
Bati com a porta do teu carro, a força que utilizei foi exagerada e desproporcionada. Ouvi-te gritar: Não tens frigorífico em casa?! Respondi-te, com um desdém estampado no rosto: Tenho. Mas se eu partir a porta do meu frigorífico não deixo de comer iogurtes, não tenho culpa que não tenhas outro carro para conduzir no dia em que o teu velho Ford te falhar, mas começa a pensar em planos B. Porque no dia em que eu te deixar, também terás que encontrar um outro alguém para amar. E por falar nisso, vou comprar outro frigorífico, não vá eu um dia destes partir a porta, logo eu que gosto tanto de iogurtes. Logo eu que tenho sempre um plano B.
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