sábado, 10 de novembro de 2012

Primeiro ela e depois eu.

Pensei em fazer uma dieta, mas comer uma folha de alface por dia nunca foi alimento para uma mulher como eu. No outro dia até dei por mim a pensar que se vestisse as roupas que se usavam no tempo da minha avó talvez apreciasses mais o meu estilo, mas não faço ideia do sítio onde ela as vai desencantar e achei que pedir emprestado seria desagradável, afinal de contas, ela já te tinha emprestado a ti e eu nunca gostei de abusar da boa vontade das pessoas. Bem, na verdade ela não te emprestou de boa vontade, se calhar fui mal educada, não devia ter-te levado sem pedir mas nunca pensei que ela fosse assim tão egoista. Um Sábado destes dei por mim no ginásio, ouvi dizer que ela era muito adepta de desporto e pensei que talvez assim deixasse de ser a tua segunda escolha, mas depois das primeiras dores musculares do dia seguinte a minha preguiça obrigou-me a desistir da ideia de querer ser tão atlética quanto ela. Quando a encontrei no café reparei que ela estava a beber uma àgua mas quando dei por mim já tinha pedido um chocolate quente e tentei desculpar-me a mim mesma com a ideia de que nem bebendo seis litros de àgua por dia e comendo só uma alface por semana ficaria tão elegante quanto ela. Não que eu seja invejosa, mas de facto ela é tão elegante que pode andar com o cabelo sempre bem esticado, de certo que passa pelas gotas de chuva sem se molhar. Por falar em cabelos, nunca preferiste as loiras pois não? Não deves ter queda para mulheres burras, mas eu não sabia. Porque eu e o meu cabelo loiro tivemos queda para ti, mesmo sabendo que pertencias a uma morena qualquer que se passeia por esta cidade com o nariz tão levantado que eu dou por mim a pensar se será apenas porque é uma pessoa tão segura de si mesma ou está é constantemente a imaginar desenhos com as formas das nuvens. Quero acreditar na segunda hipótese, pelo menos assim posso-lhe atribuir criatividade. De qualquer forma não pretendo pintar o meu cabelo, acho que ser loira adequa-se mais ao meu perfil, afinal de contas não fui muito inteligente. Se fosse inteligente já não estaria aqui à espera do dia em que o primeiro lugar fosse meu e pela primeira vez na tua vida eu deixasse de ser a outra. Não é que eu seja egoísta como ela, mas preferia que fosse ela a preencher as minhas ausências em vez de ser eu a estar à espera das tuas horas vagas. Já pensei várias vezes em tudo o que a distingue de mim, mas por mais que tente, não me consigo assemelhar a ela.

Um dia vou perceber que mesmo que ela engorde, pinte o cabelo de loiro e deixe de ser atlética vai ser sempre a tua escolha. Dizem que se chama amor, eu sei o que isso é, porque mesmo que um dia engordes, confundas roupa com trapos e continues ao lado dela, continuas a ser a minha primeira escolha. Vou perceber também que mesmo que um dia fique tão elegante como um palito, tenha o cabelo escuro e vá todos os dias ao ginásio, serei sempre a tua segunda opção. Dizem que se chama atracção, e ouvi dizer que essas coisas morrem, mais dia menos dia. Já me disseram que ela é o grande amor da tua vida e que por mais caminhos que percorras o teu destino final passará sempre por ela mas deixem-me ao menos sonhar, sonhar com as horas que passo a teu lado, aquelas em que me fazes promessas que ambos sabemos que nunca irás cumprir. De qualquer forma, serás sempre a minha primeira, última e única escolha, mesmo quando as minhas amigas me tentam fazer perceber que não me posso contentar em ser a outra de alguém.  Ah, e desculpa, mas quando disse que não era invejosa menti. Eu invejo-a, invejo-a por ter a certeza que todos os dias lhe dizes que ela é a mulher da tua vida.

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